

Web Disaster:

Marco
Cruz:
Bill, desculpe a ignorância, mas me esclareça:
Por exemplo, se o torque do motor x é 28,4 kgf a 2300 rpm, fará
alguma diferença (com relação à sua força)
:
a) o tamanho dos cardãs;
b) a relação coroa/pinhão;
c) o tamanho dos pneus;
d) a relação de marchas;
e) nda.
A minha impressão (de leigo total em engenharia) é que realmente
os caras colocam motores muito mais fortes porém com relações
muito mais longas, o que, em casos extremos, pode causar até um diminuição
proporcional de torque/potência.
Falei muita bobagem?
Bill:
a) O tamanho do cardã não influi em nada
b, c, d) Todos esses fatores têm influência diretamente proporcional
na força aplicado ao chão
Acho que está fazendo confusão com os conceitos de "potência"
e "torque". São relacionados, porém distintos, relacionados
através da velocidade de rotação. Vou te mostrar a cálculo
de torque do Spider para ver como os números são impressionantes:
O motor do Spider tem 13,7 kgmF @ 3.000 rpm. A primeira marcha do câmbio
é 3,65, então o torque na saída dele é de 50,03
kgmF. Entrando na T-case, este torque se multiplique por 4,87, saindo com
243,66 kgmF. Daí vai para os diferenciais. Passando pelas relações
4,88, o semi-eixo está vendo 1187,83 kgmF.
Agora, para ver a força sendo aplicado ao chão, temos que entrar
com o tamanho do pneu, usando o seu raio. O meu pneu tem 38,5", que é
quase um metro. Então para simplificar um pouco, vamos dizer que o
raio seja 0,5 m. Daí, o cálculo é fácil, está
sendo fornecido ao chão uma força total de 2375,66 KgF. Bastante,
né?!?!.
Num jipe tipo Land, com a T-case desbloqueado, essa força seria dividida
por igual pelas quatro rodas. Com as diversas configurações
de bloqueio, os cálculos começam a complicar. Basta dizer que
em determinadas situações, um jipe totalmente bloqueado poderia
fornecer todo o torque para um único semi-eixo. Foi isso que aconteceu
comigo no Rio.
Agora, entra o outro lado. Lembre o RPM para gerar este torque, de 3000?!?
Pois bem, isso passa também pelo mesmo processo, só ao invés
de multiplicados os números estão divididos, resultando no semi-eixo
de um RPM de apenas 34,6.
E quanto à potência?!? Acredite ou não, ela não
se altera, a potência gerada no virabrequim é a mesma fornecida
ao semi-eixo (descontando perdas por atrito). Mas num jipe, potência
é que menos importa, o que precisa é torque. Por isso, se mexe
nas relações. A potência só entra na jogada quando
se precise de força E velocidade ao mesmo tempo.
Tá claro agora ou melado ainda mais?!? Se ficou boa essa explicação
e quer botar no Fórum, fique a vontade.
Marco
Cruz:
Bill, a sua explicação está ótima, obrigado, mas
meus (dois) neurônios que entendem de matemática e física
foram despejados do meu cérebro, e não sei se entendi direito.
Vamos lá.
Superada a questão da confusão torque X potência: com
relações maiores, perco potência e ganho torque (óbvio),
que, para um leigo, poderia ser definido como força de arrasto?
Vamos para o ponto torque:
O motor do Lagartixa tem 25,7 Kgmf@ 1800 rpm. Não consegui achar a
relação das marchas (câmbio CL 2250) e da reduzida (original
Willys - essa eu nem procurei...). A minha relação é
5,375 (438).
A equação seria: 25,7 x 1ª marcha X T-case X 5,375 = o
que o semi-eixo recebe. Daí multiplica pelo raio do pneu (33").
Quanto ao RPM, realmente não consegui entender - o torque máximo
vai ser atingido em 1,800 rpm; se eu passar disso, estou trabalhando à
toa ou perdendo torque?
Outra pergunta: várias pessoas (inclusive do fórum) trocam o
motor e câmbio, e a relação (mais longa), o que acaba
quebrando a reduzida original; quem, como eu, não troca a relação,
não tem problema com a reduzida: é coincidência ou realmente
a reduzida não agüenta a relação mais longa?
Bill:
Já errou na primeira.
Quando se alonga a relação, se perde torque, sim. Mas a potência
na altere em nada. Como te falei, potência é o produto de torque
* RPM, então ma medida que aumente o RPM, você diminui o torque.
Mas a potência se mantém.
Marco
Cruz:
O motor do Lagartixa tem 25,7 Kgmf@ 1800 rpm. Não consegui achar a
relação das marchas (câmbio CL 2250) e da reduzida (original
Willys - essa eu nem procurei...). A minha relação é
5,375 (438).
A equação seria 25,7 x 1ª marcha X T-case X 5,375 = o que
o semi-eixo recebe. Daí multiplica pelo raio do pneu (33").
Bill:
Quase. A fórmula para o torque até o semi-eixo está certa.
Mas para calcular a força aplicada ao chão pelo pneu, se divide
pelo raio do pneu.
Marco
Cruz:
Quanto ao RPM, realmente não consegui entender - o torque máximo
vai ser atingido em 1,800 rpm; se eu passar disso, estou trabalhando à
toa ou perdendo torque?
Bill:
Sim, está perdendo torque, trocando-o por RPM.
Marco
Cruz:
Outra pergunta várias pessoas (inclusive do fórum) trocam o
motor e câmbio, e a relação (mais longa), o que acaba
quebrando a reduzida original; quem, como eu, não troca a relação,
não tem problema com a reduzida é coincidência ou realmente
a reduzida não agüenta a relação mais longa?
Bill:
A relação mais longa tem relação direta com as
quebras da t-case, pois é preciso forçar mais a t-case para
compensar a redução na multiplicação de torque
nos diferenciais.
Dennis
Figueiredo:
De todas as coisas que o Bill falou até hoje, única coisa que
não concordo é dizer que torque do motor é pouco importante.
Às vezes precisamos SIM de um motor elástico.
É o caso de subidas ensaboadas com muita lama. Precisamos de torque
e giro na rodas para limpar o pneu.
Então com um super reduzida teremos torque suficiente, mas não
rotação necessária para limpar o pneu.
Com giro nas rodas, mas sem reduzida, provavelmente queimaremos o disco inteiro.
Por isso nesse tipo de obstáculo acho indispensável um motor
com bom torque, para conseguirmos arrancar em uma marcha um pouco mais longa
e manter um certo giro nas rodas pros pneus limparem e só assim conseguir
vencer o obstáculo.
Tem morros por aqui que quase ninguém conseguia subir, mesmo acelerando
voltavam de ré patinando nas quatro rodas.
Fui tentar e só consegui subir depois que arranquei numa 2ª normal
e manti o giro. Com certeza se meu motor fosse fraco não subiria.
Bill:
Dennis,
O que você está falando é de potência, não
de torque.
Pense um pouco mais.
Sandro
Tannuri:
Bill,
Se eu entendi direito o Dennis ele quer dizer que se no meio de um obstáculo
for necessário aumentar a velocidade dos pneus como, por exemplo, numa
subida ensaboada dai seria necessário um motor capaz de girar mais.
Portanto ou temos um cambio automático que trocaria de marcha aumentando
o RPM na roda ou um motor que tenha força em baixa rotação,
mas que consiga atingir rotações altas para sem trocar a marcha
aumentar o RPM na roda.
Eu vivi essa experiência no Camel, por diversas vezes entrei devagar
nos atoleiros e o Jeep começou a parar, simplesmente afundei o pe no
acelerador e alem de jogar lama na lua consegui ganhar velocidade e sair do
atoleiro.
Quando tinha Land Rover eu tinha sempre que entrar nos obstáculos com
a marcha certa pois o motor diesel varia pouco a rotação então
se precisasse aumentar o RPM na roda precisava trocar de marcha o que nem
sempre era possível principalmente numa subida.
Eduardo
Velo:
Denis, o Bill ta certo, o que você ta se referindo é potência
aumentando o giro. Sandro, diesel é isso mesmo, não adianta
querer giro não, mas tem muito torque em baixa, e olha que se não
faltar ar pro motor ele vai no giro baixo mesmo, devagarinho com as 4 patinando,
mas vai ...
É por isso que o pessoal de competição opta pelo AP 2000,
ali quase não interessa torque e sim potência, esse mesmo jipe
numa subida com erosão que precise colocar pneu por pneu pra não
tombar e ir devagar e sempre, não vai conseguir, só sobe no
galope doido...
Dennis
Figueiredo:
De repente eu não to sabendo me expressar. O Sandro me entendeu.
Por exemplo, numa subida com rotação alta nas rodas. Mais na
frente tem que dar uma tirada no pé porque tem uma pedra, o giro do
motor da uma caída, mas tem força pra subir o degrau, depois
tu és o obrigado a fincar o pé de novo. Em um motor sem torque
e bastante potencia o não irá conseguir fazer isso, pois na
hora que tirar o pé ele não terá força pra levantar
o giro novamente.
Sei lá se to explicando direito mas na prática sei muito bem
como funciona
Bill:
Sandro,
Sei muito bem que o Dennis quis dizer, só queria estimulá-lo
(ops ) para ele mesmo entender o que estava dizendo.
Sou o primeiro de concordar que um motor com um monte de HP é preferível
ao um motorzinho (sou americano, pô, poderia ser diferente?!?)
Mas isso não é o caso aqui. Num motor "elástico"
do jeito que descreve, não é necessariamente o alto HP que faz
ele funcionar naquela situação do barranco, mas sim uma banda
larga de torque. Daí o problema de um motor pequeno, na "conversão"
de torque para RPM (lembre-se que a potência não altera), sobra
muito pouco torque para dar impulso no jipe. Num motor grande com sobra de
potência, há torque disponível para ser convertido em
RPM.
Então não há controvérsia que mais HP é
melhor que menos. Porém a questão levantada aqui foi de custo
/ benefício e no caso de um jipe, o sujeito está muito mais
na frente gastando grana e atenção nas relações
do que ficar fuçando no motor......