

Web Disaster:

Transparaná: "Participar é uma aventura, chegar é um desafio!"
Esta definição traduz muito bem o que é a prova. Mesmo sem contar os percalços da preparação do carro e da viagem de ida a Guaíra, sobra muita estória....
Sábado é dia e festa na cidade. Tudo para para ver os carros
chegarem. Vale lembrar que Guaíra já foi um importante pólo
de desenvolvimento do turismo no estado do Paraná, principalmente em
virtude das extintas 7 quedas. A cidade já teve quase 100.000 habitantes
e hoje deve estar perto dos 30.000. Então um movimento destes na cidade,
é de fato, um feito.
Cheguei as 10h da manhã e fui procurar o caminhão do apoio da nossa equipe (o Luciano fez parte também) porque ainda precisava trocar a malvada da "bichacinética" quebrada deste outubro. Pude perceber neste instante o quão importante é a equipe de apoio. O caminhão era o sonho de todo jipeiro: coleção de pneus (começando pelos cross e passando pelos tracker e acabando nos bf mud 33. Devia ter pelo menos uns 30. Caixa de transferência, várias caixas de ferramenta, aparelhos de solda, muita, mas muita peça sobressalente, e principalmente, 3 excelentes mecânicos. Mas bota excelente nisto. Importante é que eles entraram no espírito da coisa. Fizeram consertos de 4 a 5 horas no intervalo de 45minutos de almoço.... Era bonito de ver trabalhando.
Regularizei a inscrição e fui procurar um amigo virtual - o Walter, conhecido pelas bandas do forum 4x4brasil. Logo, logo fomos adotados por ele e pelo Rafael. Já estava me sentindo daquela cidade, também... tinha festa por todo lado! E nós, jipeiros, éramos os convidados de honra. Após muita insistência o Rafael nos "obrigou" a fechar a conta no hotel e hospedar-nos na casa dele (Os pais estavam viajando.... hummmmmmm). E dá-lhe cerveja! Tinha levado uma coleção de Burn (10 caixas!). Taí a combinação explosiva! Voltamos - eu e meu navegador - a sentir-nos como se tivéssemos novamente 20 anos....
Então o sábado se traduz nisto.... Muito calor, muita expectativa e festa, festa, festa, festa e também um pouco de festa. Desnecessário dizer que isto significa fatos incontáveis.... principalmente em casa.....
Dormimos, não muito e também não muito bem (literalmente), e chega domingo, dia do prólogo. 25 minutos de prova, 84 trechos e mudanças de média e 16 km. Uma prova ímpar, mesmo porque tinha caído um dilúvio em Guaíra, choveu torrencialmente por cerca de 3 horas, fazendo com que 2 inofensivas travessias de rio se transformassem em pesadelo para muita gente. O prólogo foi uma prova muito rápida, já exigindo muito do carro e do piloto. Parecia uma especial de rally cross-country só que cheia de laços curtos e muita lama. Foi um tal de "segura-traz de volta-vira-derrapa-traz de novo-iiihihihihih-fu%@#$¨¨#$¨%-vira para a direita-vai de novo" o tempo todo.
Mas a travessia do rio é que foi mesmo um caso a parte. Eu boiei. Literalmente. A primeira passagem assustou um pouco já que a correnteza tava forte para caramba e a água muito barrente. Mas passamos bem: 1a. reduzida e fomos embora, com água pelo capô. Agora...... a segunda passagem fez a primeira parecer brincadeira de criança! Vínhamos em uma trilha que margeava o rio à 51km/h. A próxima referência era virando 90 graus a esquerda, beira de um barranco e média de 3 por hora (descrobrimos depois que o pc era na margem do rio). Olhei, engatei a primeira, tirei o pé da embreagem e por precaução amarrei-o junto a porta ;-). Entramos. Água espirrando acima do teto do carro. No meio do rio tinha um degrau, neste instante o carro começa a levantar e querer parar lá no Paraguai, seguindo a correnteza. Meu navegador, muito calmo e querendo me animar, gritou: F%¨$%¨$¨%$#$##@#$@DEU. Mas o vitarinha derrepente agarrou o fundo e saímos. Não preciso dizer que isto rendeu salvas de palma. Infelizmente teve gente que não deu muita sorte: um vitara com calço hidráulico (desentortaram a biela na marreta. Lembre-se que chegar é um desafio) uma Land também com calço hidráulico (pitocada do piloto. Trocou de marcha, ligou o carro, deu ré, enfim fez de tudo para dar calço) e mais um vitara que engoliu água. Para terem uma idéia a água passava por cima do capô da land e entrou por cima da tampa traseira do jeep. Entretanto teve gente (de vitara) que não quis contar com a sorte e desistiu da passagem do rio, abrindo mão da definição da ordem de largada (o que acredito foi a decisão mais sensata). Pelo menos consegui me livrar do trauma que tinha em passagens de rios, já que a última me rendeu 3 bielas tortas.
Enfim, acabou o prólogo. Ficamos em 5o. na categoria sênior e isto nos renderia 12o. na geral (acho que 88 carros). O domingo continuou com um almoço de confraternização, aonde, diferente do ano passado não caí na pegadinha da farofa! Um prato lindo, farofa temperada com calabresa, alho e bacon acreditava eu. Descobri que as rodelas que pensei serem de calabresa eram de banana. Urghhhhh! Detesto banana. As festas também continuam por todo o lado da cidade. Importante destacar que o serviço do apoio da equipe já tinha funcionado como um reloginho. Antes do prólogo isolaram todos os sensores do carro, verificaram a estanqueidade do snorkel, etc, etc, etc. Quando chegamos, abriram o filtro de ar (sequíssimo), olharam o óleo, levantaram o carro e deram uma geral em apertos de suspensão, e para terminar o levaram para lavar e completar o tanque. Eita mordomia!!!!! Mas o domingo ainda reservava a largada promocional e muita festa.....
Etapa 1: Guaíra a Nova Olímpia
A ansiedade
tomava conta de Guaíra. Todos esperavam uma etapa fácil, pois
a organização não cansou de repetir que esta etapa era
a mais mu-mu de todas. Mesmo assim todo mundo andava de um lado para outro.
Os fumantes pareciam que tinham feito uma aposta: quem fuma mais!!!!! Já
quem não fuma, usava todos os
banheiros disponíveis.....
O fato das planilhas serem entregues apenas 15 minutos antes do seu horário ideal também causa no navegador certa apreensão a mais....
Enfim,
largamos para o deslocamento inicial.
De uma certa forma, acredito, os deslocamentos iniciais comuns em todas as
provas off-road tem um objetivo claro: relaxar! Ou seja: a prova começou,
você está pilotando, o navegador, navegando, o totem funcionando,
o carro, redondinho! Legal, vc pensa. Parece que é um "tempo"
de ajustes do cérebropara o desafio que se anuncia....
Logo após a largada do Transparaná do ano passado levei um baita
susto quase caindo em um valo e este ano por pouco que não se repete....
Como largávamos +/- 7:30, o sol está bem na altura do horizonte,
principalmente naquela região muito plana, e te ofusca muito a visão.
Sufoco!
A organização tinha avisado que esta também seria a etapa
mais longa de todo o Transparaná, com um trecho de quase 200km sem
abastecimento. Usualmente não carregamos em um vitara porta-galão
e obviamente é muito arriscado colocar gasolina dentro do carro, principalmente
sujeito àquele sólão. Arriscamos.
Nos quilometros iniciais da prova fomos oficialmente apresentados aos "murundus"
e estes nos acompanharam até a 5a. ou 6a. etapa. São curvas
de nível na estrada. Normalmente são "gostosas" de
passar quando vc esta passeando. Agora, "tirando" tempo....... aiaiaia!!!
Não raro o carro saltava com as 4 rodas do chão. Nesta etapa
exigiu-se muito, mas muito mesmo da suspensão do carro. Por vezes chegamos
a pensar que o carro se dividiria em dois.... Usualmente dava fim de curso
de suspensão, principalmente a dianteira,e depois de um certo tempo
os amortecedores trazeiros também abriram o bico. Parecia questão
de tempo perder suspensão dianteira. E a cada salto eu rezava pela
saúde das bichacinéticas.....
Tentei andar no tempo, não importando o tamanho do estrago, mas..... a prova ainda nos reservava surpresas! Faltando cerca de 40km olhei novamente para o ponteiro da gasolina e ele literalmente tinha morrido! Despencado para atraz da marca da reserva. Desligamos o ar condicionado ( o calor era de cerca de 35 graus ) e esqueci do tempo da prova. Aproveitava as ladeiras e metia uma banguela, desliguei também a reduzida e, ufa... chegamos. Rapidamente o apoiomanda colocar o carro na rampa e dá uma checada na suspensão e um dos mecânicos prova se foi! Todo lambuzado de óleo e o mecânico procurando a "rachadura"!!!!! Mas o veredicto foi o respiro do diferencial o causador da lambança!
Abasteci. Foram mais de 37 litros.
Conversando com o Luciano, que estava trocando de amortecedores, já que seus Rancho também abriram o bico, este sugeriu que "se eu quisesse chegar em Guaratuba não podia tentar andar no tempo! " Achei sensato e optei por chegar...... E esta foi mais uma das armadilhas da prova.....
Resultado da etapa. Ficamos em 3o. Por conta de dois PCs adiantados no final da prova. Exatamente aqueles da banguela!!!! Total de Pontos perdidos 218. Nos dois últimos pc´s foram mais de 100 pontos. Lembrar que a por décimos de segundo. Não fosse por isto teríamos fácil, fácil ganho a etapa. Ahhh, este maldito "SE".......
Vale lembrar que quem correu de pajero, land ou troller achou a etapa "tranquila".....
2a Etapa - Nova Olimpia / Paranavaí
Enfim, após um merecido descanso de 15 minutos :-), que foi o tempo
da revisão do carro, largamos! Procurei ainda um posto de gasolina
para passar um ar no carro, que estava literalmente tomado pelo pó.
Neste momento começamos a perceber movimentos de alguns carros de apoio
que se preparavam para buscar o Giba que tinha ficado sem gasolina no finzinho
da prova. Percebi que para todos os suzukis a pane seca andou pertinho....
As conversas
começaram novamente no final do deslocamento. Um amigo nosso, Isaías,
de Jgua do Sul, perguntou como tinha ido na etapa da manhã. Eu, obviamente
com a sinceridade de um pescador, disse, bem. Tava moleza! Provinha Fácil.
Êta mentiroso porreta, já tava com a impressão de que
faltava carro.... :-)
Neste instante, no final do deslocamento, estacionei o carro do lado de um cachorro morto. Èca! Então percebi um problema que acompanhou o carro por toda a prova: a cambagem das rodas dianteiras. O vitara estava parecendo aqueles uninhos que corriam em interlagos, de tão abertas que estavam as rodas.
Mas o que marcou mesmo a 2a. etapa foi a desconcentração. Tínhamos resolvido, eu e meu navegador, que faríamos uma prova conservadora. Maior besteira que fizemos. Já não fazia questão de andar no tempo como tinha andado pela manhã, o que causa uma puta desconcentração da equipe. Perdemos muitos pontos por besteira... E no final das contas o carro sofreu do mesmo jeito...
Esta etapa estava muito seca. Foi feita praticamente dentro de um canavial, com muitos laços e curvas, com médias bem apertadas. Se chovesse o terreno viraria uma paçoca e as médias seriam inatingíveis. Que pena que não choveu!
O dia foi, certamente, marcado por um acidente neste canavial: um troller de juiz de fora, acho, capotou. E como já disse o Manoel, a pessoa tem um desejo incontrolável de tentar "segurar" o carro, colocando a mão para fora.... :-( Resultado: fratura exposta no braço do navegador....
Outro detalhe marcou bem alguns competidores: o radar. Em certos trechos de deslocamento, em vilarejos, a planilha marcava a velocidade máxima a ser seguida. Em caso de descumprimento vc poderia ser flragrado pelo "radar"!!!! Pegou muita gente.
Enfim, sem grandes surpresas a 2a etapa acabou. Chegamos no hotel, deixamos os carros para a merecida revisão e pegamos um táxi para irmos ao restaurante. O motorista tinha setenta e cinco anos, quase atropelou um motoqueiro, furou um sinal vermelho e passou por cima da calçada. Foi o trajeto mais emocionante da tarde!!!!
Prefjúizos: samurai e land com problemas no diferencial traseiro, pajero com o motor fundido, vitara com 4 amortecedores estourados, engesa com cárter furado, etc....
Resultado
da etapa: 13o.